Campo semântico linguístico e campo semântico ontopsicológico

Da Ontopsicologia

O campo semântico é qualquer mediação de informação: 'é um transdutor de informação'. O contexto no qual uma informação ocorre é um campo. Determinado um campo (uma 'gestalt', um conjunto), verificam-se operações, implicantes das formas que se evidenciam segundo o modo no qual a energia se precisa.

Esta mediação de informações é sempre sinérgica: 'não transfere energia, mas é com a energia'. Trata-se de uma distinção mais lógica que natural. Na natureza, energia e forma não são cindidos, mas coexistem, são incindíveis[1]. Racionalmente podemos pensá-los distintos.

Sintetizando as análises desenvolvidas até hoje, sob qualquer parâmetro, a pesquisa cultural pode ser reduzida ao seguinte gráfico: C.P.L. (figura 1).

Os dois "parêntesis" na figura constituem o momento de interceptação de dois campos, de dois contextos, de dois dialogantes. As pessoas - que são efetivamente dois universos, cada um com própria semântica e própria linguagem - estabelecem uma recíproca interceptação. As flexas indicam tantas vetorialidades que interagirão uma com a outra. Conhecemos os muitos estudos conduzidos em torno ao diálogo e à relação. A Ontopsicologia, além de compreender tudo isso, afirma a existência de uma outra interação que não havia até então sido logicizada e verbalizada, porém que é operativa e é intrínseca ao próprio fato da posição dos dois dialogantes. A partir do momento em que duas pessoas interagem e eventualmente dialogam, posiciona-se uma interação enérgética com seu próprio universo de sentido.

"C" é a comunicação cinésica. A cinésica é o movimento autônomo, específico, individual, solipsístico que o sujeito faz enquanto é presente, que fale ou não, ainda se está parado: toca-se no nariz, cruza as pernas, coça a cabeça etc. É o movimento como fenomenologia do sujeito operante, o seu mover-se, como quer que seja.

Também toda a semiótica médica faz parte da cinésica do sujeito. Com isto, entende-se na escola ontopsicológica dizer que todos os processos psicossomáticos e as variáveis orgânicas do corpo são linguagens que, analizadas segundo um certo metro, implicam a compreensão daquele significante.

"P" é a comunicação proxêmica: a gestão do próprio corpo em "relação a". Isso implica a gestão do espaço, as distâncias, o por-se das mãos etc. Um homem tem movimentos típicos a depender de com quem ele entra em relação: um amigo, uma mulher, a mãe etc. "Proxêmico" é tudo o que é em relação ao próximo: os movimentos são "relativos a".

O corpo fala sempre. Quando não se seja ainda capaz de compreender o campo semântico, caso se consiga ter a exata leitura das linguagens cinésica e proxêmica, tem-se de todo modo íntegra a natureza. Antonio Meneghetti afirma em seu livro Campo Semântico:

"Jamais encontrei deformidade entre dois aspectos da comunicação (cinésica e proxêmica) e o campo semântico: indicam a mesma coisa."

"l" é a linguagem. Compreende todas as problemáticas e as conexões sobre a linguística e os seus códigos (portanto, os modos de intercalação, os adjetivos etc., que uma pessoa usa quando fala; adicionalmente, o código subjacente, seja de quem fala, seja de quem escuta).

Na infinita gama do quanto se analisou e previu nos estudos sobre a linguagem verbal e não verbal, entendidos sob todos os seus aspectos, há a grafologia como linguagem gráfica; há a linguagem artística, com o desenho psicosemântico; do mesmo modo é linguagem uma carta, um quadro, uma palavra, ou seja, qualquer coisa que se manifeste como produção para comunicar.

Enquanto o cinésico e o proxêmico se revelam apenas por projeção, ou seja, não são ainda mandados, mas são operadores ad intra, a linguagem - em todas as suas formas - é um operador ad extra. Naturalmente, tambem os operadores ad intra são ativos.

Todo o discurso da Ontopsicologia sobre o campo semântico abre-se depois dessas três premissas que representam o seu aspecto fenomênico: a linguagem base resta ainda oculta. A este ponto, ocorrem dois gêneros de conhecimentos: o conhecimento físico e a congruidade de consciência com a natureza.

Entra-se no mundo das interações toda vez que se determina um impacto energético-formal. Portanto, acessa-se a tudo o que é específico da física moderna, que permite a compreensão do mover-se da energia, como o conceito de relatividade. Ou ainda, a questão de qual destino sofra uma partícula que é integrada em um outro contexto: é destruída ou absorvida? Sofre simplesmente uma informação diversa. Por exemplo, uma explosão atômica é informação alteradora que se espande em um determinado raio.

Não ocorre uma destruição absoluta; trata-se de transformações que são tais em relação àquele ambiente. De fato, se produzíssemos uma explosão de vários megatons em uma atmosfera diversa da nossa, poderia não se verificar nada. Vice-versa, eventos que neste contexto são para nós naturais, como a neve ou o gelo, em outros contextos poderiam ser cataclismáticos. Todo fenômeno e toda análise é certa no ambiente em que ocorre, não é redutível a contextos diversos.

Para racionalizar o campo semântico, temos necessidade de todo o conhecimento físico-matemático. Isso não significa que devemos aprender a matemática e a física, mas conhecendo um mínimo da sua linguagem podemos compreender como ocorre aquela variação energética, porque conhecemos as interações energéticas que ocorrem entre seres humanos e informações neurônicas.

Para a compreensão do campo semântico é necessária a integridade de natureza, ou seja, uma consciência lógico-histórica capaz de colher as fenomenologias autísticas do sujeito.

"Um cientista no campo das assim chamadas ciências exatas, por meio da teoria ontopsicológica, aprende a auscultar-se. De tal modo, começa a maior mediação a qualquer pesquisa. Com a totalidade do seu organismo, sabendo estas possibilidades, uniforma-se com congruidade de consciência e naturalmente releva aquilo que está buscando, se é possível; de outro modo - se não é possível - vê que aquela não é a estrada justa e segue uma outra, em base àquilo que do real o contacta. Nesse sentido, a Ontopsicologia é indispensável e preliminar a todas as ciências, uma vez que sobretudo o cientista tem necessidade da integridade de natureza, de uma consciência congruente, correspondente à ação da vida."

Portanto, a posse da teoria do campo semântico é um processo que se formaliza por meio de um tirocínio existencial. Para colher o campo semântico é preciso atingir um estado ataráxico, o estado de consciência sem emoções, a ataraxia dos estereótipos: ver o real sem aplicar memórias.

Para a leitura de toda a bibliografia relativa ao campo semântico, recomenda-se a obra Campo Semântico, de Antonio Meneghetti.

Referências

  1. Imagem alfabeto da energia|Imagem alfabeto da energia. 4 ed. rev. Recanto Maestro: Ontopsicologica Ed, 2010. ISBN 978-85-88381-37-7]
  2. Dicionário de Ontopsicologia. 2 ed. rev. Recanto Maestro: Ontopsicologica Editrice, 2008. ISBN 978-85-88381-41-4
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