Intuição

Da Ontopsicologia

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Etimologia

Latim intus actionis = o dentro (ou íntimo) da ação[1].

Significado

Saber o íntimo da ação. Ver o fazer. (cfr. com "ciência").

Conhecer os modos ou estruturas interiores de um projeto de ação ou evento.

Colher as coordenadas de uma gestalt.

Saber antes dos efeitos.

À luz das descobertas da escola ontopsicológica, a intuição pode ser assim definida:

Formalização do Eu a priori em "relação a". Posição de ótima funcionalidade por parte do Em Si ôntico em relação a um projeto ou evento.[2]

Intuição e processo perceptivo-cognitivo

Para compreender a relevância que a intuição assume para a escola ontopsicológica, é preciso compreender importantes conceitos que se referem aos níveis-base de percepção elementar, que são três: esteroceptivo, proprioceptivo e egoceptivo[3]. (cfr. Charles Scott Sherrignton, prêmio Nöbel em Medicina, 1932)

Percepção esteroceptiva

A percepção esteroceptiva compreende qualquer variação excitante interna e externa ao organismo.

Refere-se a todas as formas de sensibilidade:

  • Cutânea: tátil, térmica, dolorosa;
  • Orgânica: visão, audição, olfato e gosto; e
  • Visceral ou neurovegetativa: todas as variações das funções vitais, viscerotônicas, neuromusculares em referência aos sistemas nervosos cerebro-espinal e neurovegetativos, e o sistema parasimpático preposto à reconsituição celular.

Ela concerne qualquer estimulação externa ou interna na primeira fase de contato e enquanto resta ainda setorial.

Percepção proprioceptiva

A percepção proprioceptiva é qualquer estimulação sensorial que se torna informática única para o organismo. Nela, as múltiplas aferências internas ou internas são unificadas em relação à estrutura-base da individuação e veiculadas em uma percepção unitária do organismo.

A percepção esteroceptiva é ainda setorial enquanto a percepção proprioceptiva envolve o total organismo, de modo que todos os setores do organismo são informados.

Percepção egoceptiva

O conhecimento egoceptivo é a percepção egóica, o quanto selecionado a partir dos dois níveis precedentes que é referido ao Eu consciente, voluntário e operativo.

O quanto, o como e o qual da informação total atinge o Eu e, por consequência, o Eu é envolvido irrevocavelmente a uma responsabilidade.

Porque a intuição é perdida?

O Eu deveria ser a reverberação ou reflexão única do total perceptivo, ou seja, o conhecimento ou consciência do quanto se existe como individuação é um fato natural e normalmente adquirível, como o conhecimento da audição ou da visão[2].

De fato, a "consciência", em Ontopsicologia, é definida como monitor de reflexão, ou seja, ela é uma superfície ou plano ótico sobre o qual se podem ler ou ver as projeções do real ou concreto em todos os seus aspectos. É um espelho por meio do qual os módulos da percepção se projetam holograficamente, instaurando o processo das imagens.

O cientista Antonio Meneghetti assim a descreveu porque a consciência dá a imagem correta: é um espelho psicodélico onde as imagens coincidem com o vivido real. Essas imagens (ou reflexões) e objetos (ou estruturas relativas) são iguais e reversíveis.

Porém, a Ontopsicologia relevou que no interior do ser humano se sobrepõe uma projeção especular, que altera os processos do conhecimento organísmico: o monitor de deflexão, que foi assim chamado justamente porque distorce a imagem do real:

"Quando chegam sinais, as percepções mais importantes, intervém sistematicamente um outro sinal que se sobrepõe. Susbstancialmente, ocorre que o feixe escpecular do monitor de deflexão torna-se prioritário na percepção reflexiva e a percepção organísmica resta excluída." [4]

Intuição e inconsciente

O inconsciente se constitui inteiramente pela perda do conhecimento do sistema proprioceptivo e, em parte, do sistema esteroceptivo. Ele não é "tenebrosidade de monstros ou caos", mas ordem perfeita da vida no ser humano. É o conjunto global das informações contínuas provenientes do ambiente.

É o quântico de vida psíquico e somático que o indivíduo é, mas do qual não é consciente, e que age de todo modo, para além da lógica da consciência.

A essência do inconsciente corresponde ao Em Si do homem[5].

A egoceptividade reduzida, que de fato se encontra na generalidade humana, ocorre por duas causas:

  1. Superego social;
  2. Superego materno, ou matriz reflexa.

Ambos se uniformam no conceito de monitor de deflexão ou "grelha de deformação".

Por esse motivo o inconsciente resta desconhecido, na medida em que o homem é dividido, ainda que em parte, do próprio conjunto.

Mas se o homem se faz consciente do total proprioceptivo individual, ele se auto-colhe e não adverte contraposições.

O aspecto ético baseia-se sobre critérios heterosubjetivos, confrontáveis apenas racionalmente, com exclusão do sentido visceral e da proprioceptividade subjetiva. Fomos constrangidos ao apagamento do nosso pessoal profundo.

Adicionalmente, o condicionamento e a atividade linguística impuseram ao homem a extinção das faculdades interiores de orientação, que foram substituídas por critérios lógico-linguísticos.

A intuição do organismo foi substituída pela teoria linguística e o quanto extinto sobrevive de modo inconsciente.

Por isso, a egoceptividade, ao invés de uniformar-se à esteroceptividade e à proprioceptividade, é coagida a estabilizar-se na aprendizagem da "letra". Desta espécie é a introjeção das formas comportamentais de adaptação externa, com reificação da elaboração ou informação intraorganísmica.

Ao contrário, a egoceptividade otimal seria uma compensação decisional e operativa em reflexão correspondente ao total orgânico ou organísmico.

A intuição segundo a escola ontopsicológica

Em Si ôntico

A interação dialética entre Em Si ôntico, Eu lógico histórico e monitor de deflexão determina, para a escola ontopsicológica, toda a vida do homem.

O Em Si ôntico é o starter da vida, o Eu é a tomada de consciência que controla a situação e, conexo, há o monitor de deflexão (Cfr. feixe de estereótipos), inserido no interior de determinados processos sinápticos cerebrais.

"O Em Si é o projeto base de natureza que constitui o ser humano. É o princípio formal inteligente que faz autóctise histórica; o ponto primeiro a partir do qual principia a determinar-se uma individuação, o princípio que faz ser ou não ser, existir ou não existir".

O Em Si ôntico constitui o critério base da identidade do indivíduo, seja como pessoa que como relação. O homem produz autorealização quando a sua ação é conforme ao próprio Em Si ôntico.

Eu a priori

O Eu a priori é a reflexão última entre Em Si ôntico e situação histórica. É o Eu antes da escolha ou interação. Constitui aquele possível otimal a concretizar-se por sucessiva tomada de consciência e de vontade, para o nascimento constante do Eu em progresso intrínseco. É o representativo ideal da solução possível como única perfeição, mas se realiza apenas se e no modo que o Eu consciente decide o escopo último da totalidade do Ser. É o ótimo na ética da situação, ou seja, "a escolha otimal que deveria enverar-se a cada interação entre pessoa e ambiente".

Eu a priori e Em Si ôntico são sempre conexos e se refletem.

O Em Si ôntico dá o real, o Eu a priori dá a forma, ou seja, o "como" o sujeito deve evolver-se.

A cada impacto do devir, o homem é "necessitado a", e isto é o próprio a priori de ação histórica.

Portanto, o Eu a priori não é uma matriz fixa, mas "o instante que se renova a cada impacto do devir".

O Eu a priori é o momento no qual a interação do organismo entre Em Si e ambiente dá a sua reflexão de ação única para a vantagem do indivíduo-pessoa.

Eu lógico-histórico

O Eu (lógico histórico) é aquela função mediante a qual o sujeito se autocolhe, é mensurado e mede.

É a parte lógica e consciente de todas as operações voluntárias, responsáveis, inteligentes, racionais, mnemônicas etc.

É a estrutura mediatriz entre o real introverso e o real extroverso, e vice-versa. É o ponto onde ocorre a tomada de consciência, de responsabilidade, de voluntarismo, de racionalidade.

O Eu não deve ser entendido apenas como forma consciente, porque na zona do eu há também os mecanismos de defesa e vastas zonas do inconsciente.

O Eu lógico-histórico é a capacidade de mediar o real externo segundo a exigência individual do íntimo. É a função de concretizar o real segundo a exigência introversa ou extroversa. Em suma, o Em Si faz a discriminação de ser ou não ser; o Eu a priori dá o otimal e o Eu lógico-histórico dá o fato último existencial.

O resultado da intencionalidade do Em Si ôntico consiste em levar a pessoa à autorrealização. Isso é possível à luz da guia do Eu a priori, que é a reflexão do Em Si ôntico em situação histórica.

O homem autêntico, portanto, é aquele que possui um Eu lógico-histórico em ação unívoca com o Eu a priori.

Síntese

Sintetizando o quanto dito a partir das descobertas da Ontopsicologia, podemos definir intuição como segue:

"A cada momento da vida de um homem há uma só ação otimal, e esta é refletida como Eu a priori, porque é justamente o projeto formalizado ou sublimado pela pulsão ôntica."

A intuição, para a Ontopsicologia, é precisamente a visão desse projeto.

Referências

  1. MENEGHETTI, Antonio. Dicionário de Ontopsicologia. 2 ed. rev. Recanto Maestro: Ontopsicologica Editrice, 2008. ISBN 978-85-88381-41-4
  2. MENEGHETTI, Antonio. Manual de Ontopsicologia. 4 ed. rev. Recanto Maestro: Ontopsicologica Ed, 2010. ISBN 978-85-88381-52-0
  3. SHERRINGTON, C.S. The integrative action of the nervous system (1906).
  4. MENEGHETTI, Antonio. O monitor de deflexão na psique humana. 5 ed. Recanto Maestro: Ontopsicologica Ed, 2005. ISBN 85-88381-20-6
  5. MENEGHETTI, Antonio. O Em Si do Homem. 5 ed. Recanto Maestro: Ontopsicologica Ed, 2004. ISBN 85-8838115-X
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