Intencionalidade

Da Ontopsicologia

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Etimologia

Latim id quod et quo intendit, intus actionis = o que faz e pelo que se faz o dentro da ação. Aquele dentro onde o ser age[1].

Latim intentionem, de intentus, particípio passado de intendere = tender a, voltar-se para um determinado fim, propósito[2].

Significado

O fim onde a ação faz vetorialidade ou direção (= "escopo").

Estrutura formal que vincula a modalidade da ação. A direção na qual a ação se homologa e se configura de per si no interior de um contexto.

Qualquer modo energético mundano se orgina e se concretiza sobre a tipicidade da intencionalidade. Mesmo sendo a sua essênia intricidade noumênica, é sempre revelável por meio de suas diretas projeções que constituem as representações síncronas ou imagens especulares. Exatamente, estas últimas configuram o que e como a ação está agindo em mim (ver imagem).

A ciência ontopsicológica é a proposta de uma psicologia baseada sobre os processos da intencionalidade psíquica, revelável por aquelas projeções especulares que não são mais do que representações não deformadas por induções do monitor de deflexão ou de estereótipos culturais.

O vetor, ou direção, ou forma no interior da ação. É como a ação se interioriza em um estado e o transforma. É uma novidade que entra e formaliza um quântico para um escopo específico.

Em Ontopsicologia, é possível fazer as seguintes distinções:

  1. Intencionalidade ôntica (ou do Ser): é onde o Ser se intenciona. Pode-se experimentá-la apenas por meio da exclusiva mediação do Em Si no seu ato primeiro de ser ou não ser;
  2. Intencionalidade de natureza: o modo no qual se especifica a intencionalidade na existência aqui e agora; a forma que especifica, tipifica, individua e define os modos de acontecimento daquele existente.
    A intencionalidade de natureza do ser humano é a constante H. A lei preexistente no interior do nosso psicorgânico: é uma predisposição química, biológica, formal; a inexorável ordem apriórica e categórica de qualquer ser humano;
  3. Intencionalidade do Eu (Eu lógico histórico): é a decisionalidade consciente com a qual se formal os atos de vontade; não incide sobre a intencionalidade de natureza, mas apenas sobre a história do sujeito. A coincidência entre intencionalidade de natureza e intencionalidade do Eu lógico histórico dá o nascimento do Eu;
  4. Intencionalidade do complexo: é a intencionalidade baseada sobre a matriz reflexa, da qual o complexo é a estrutura resultante;
  5. Intencionalidade sócio-ambiental: é a coação dos outros consociados em muitos, distintos e opostos ao indivíduo;
  6. Intencionalidade personológica: é a intencionalidade do homem superior que, satisfeita a intencionalidade de natureza e absolvidos os deveres de maturidade, está em condições de fazer-se correspondência ôntica: ele torna-se percurso preferencial da vida e a sua intencionalidade subjetiva se faz criação em ato.

Explicação

Intencionalidade é aquilo que faz e pelo que se faz a ação. Assim define o Dicionário de Ontopsicologia. Tem os três elementos: a ação, a direção e a finalidade a ser atingida pela ação e indicada pela direção. Isso é intencionalidade.

Mas a intencionalidade é sempre o primeiro elemento que se origina do ser. Essa intencionalidade é ação psíquica. A ação psíquica começa a produzir pontos de força que são coordenados pela atividade psíquica - era possível para o Prof. Meneghetti descrever esse quadro devido a percepção do campo semântico. Esse ponto de força somos nós, cada um é um ponto de força, e cada ponto de força é um Em Si ôntico na base e cada Em Si ôntico tem uma intencionalidade específica, uma direção própria. Então, se diferenciam as intencionalidades pessoais, próprias do indivíduo. Se a intencionalidade vai segundo o Em Si ôntico, ela vai na direção da finalidade última que é fazer uma pessoa evoluir até a plenitude pessoal, esta é a intenção da finalidade última.

Há então os meios que são modalidades éticas de ação, então: aqui tenho que tomar uma decisão, ali tenho que tomar outra decisão e prossegue. Esses são meios para atingir a finalidade última. Se eles estão em consonância com a luz do Em Si, mas se passa o filtro do complexo, o filtro do monitor, o filtro dos estereótipos, o filtro da ciência aprendida, ele te desvia, você é feito segundo a imagem e semelhança da sociedade, e não como pessoa autônoma, você é feito segundo o modelo da primeira relação que você assimilou e memorizou, mas isso não lhe faz ser uma pessoa autônoma.

A intencionalidade é anterior à atividade psíquica, a intencionalidade dá a partida, parte a atividade psíquica, parte a realidade psíquica. Ser é, simplesmente é. O ser parte, intencionalidade, e então move a atividade psíquica, a realidade psíquica.

O Em Si ôntico é uma informação básica que depois tem a competência de gerar outras informações, isso é próprio do Em Si ôntico, mas os objetos também me falam, também dão informação. Conceber - eu concebo porque ele também tem informação em si. Quando entro com o meu Em Si, informando que pode refletir o Em Si dele se dá uma união, eu concebo, é o nexo.

Husserl quer a intencionalidade original do humano, aquilo que é do aspecto comum do humano e não só do Em Si ôntico - ele não tinha conhecimento do Em Si ôntico. Aquela intencionalidade do humano também existe é a constante H, mas ela é mais abrangente. Husserl trata de um dos aspectos da intencionalidade do Prof. Meneghetti. O Prof. Meneghetti diz que o Husserl não atingiu o elemento mais profundo, que ele conhece, mas o Husserl buscava.

Husserl fala da intencionalidade do mundo da vida. Nós, na nossa consciência, não colhemos a intencionalidade do mundo da vida, mas colhemos as intenções que nós registramos pela cultura, pelo ensinamento, e a consciência ficou impura. Por isso, nós temos que purificar a consciência, nós temos que fazer uma metanoia, tem que ajustar a consciência ao mundo da vida, porque lá vem a intencionalidade original da natureza humana, do mundo da vida. Então, quando a nossa consciência reflete, o que ela reflete? Reflete a moral que ensinaram na fé. Reflete o que na consciência? O que eu aprendi no passado, da cultura. A consciência está sempre presa, Husserl diz que essa consciência é impura - ele usa essa palavra-, é preciso purificá-la. Segundo a Ontopsicologia é preciso fazer a metanoia, e a Ontopsicologia deu o caminho, Husserl deu a reflexão filosófica, não o caminho para realizar isso.

Quem inventou isso foi o Sócrates com a maieutica e a ironia. Ele queria provocar a consciência a resgatar o que é originalmente o pensamento próprio, e quando foi na busca disso, chegou ao ponto de dizer: “O que sei é que nada sei.” Então, agora vai começar o que é seu; a matemática, você aprendeu com o Pitágoras; relacionar-se, você aprendeu com a sua mãe; julgar as coisas, você aprendeu com a cultura; mas e você, o que é seu mesmo? Eu, o que eu sei mesmo, é que não sei nada; e começa a filosofia. Sócrates fez um método interrogativo; com o Professor temos um método analítico de explicitação por informação dinâmica. Faz-se a leitura da informação dinâmica, que pode variar o sentimento, variar a psique[3].

Referências

  1. MENEGHETTI, Antonio. Dicionário de Ontopsicologia. 2 ed. rev. Recanto Maestro: Ontopsicologica Editrice, 2008. ISBN 978-85-88381-41-4
  2. Vocabolario Etimologico della Lingua Italiana, Francesco Bonomi
  3. VIDOR, Alécio. Reunião da equipe de tradução. Recanto Maestro, 04 de agosto de 2013.
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