O método ontopsicológico

Da Ontopsicologia

Vídeo "O método ontopsicológico", com Antonio Meneghetti. [+]

Bom dia. Sou Antonio Meneghetti, iniciador da Escola ontopsicológica.

Quero falar sobre o método ontopsicológico como conhecimento elementar que pode ser usado como preliminar à exatidão científica em geral.

Nasci em 1936, exatamente no ano em que Edmund Husserl publica o seu famoso texto A crise das ciências européias: fenomenologia, psicologia.

Husserl denunciava e demonstrava a incongruência do apodítico científico, que na realidade não tinha o contato com a causalidade do vivo, do Em Si ôntico da natureza ou, como ele dizia, do mundo-da-vida, inclusa a matemática e todas as outras ciências.

Também teve contato com Freud, enquanto Husserl considerava que a psicologia podia ser a ciência que dava organização, estrutura ao saber racional, sendo o modo universal de fazer conhecimento, isto é, o Eu do homem, a sua consciência, a sua inteligência etc. e, por isso, tinha uma esperança sobre a psicologia, a qual, porém, de fato, contradisse essa expectativa, a psicologia dita científica do nosso tempo.

Quando eu li o seu texto formidável, dei-me conta que ele tinha razão, ou seja, por quanto se imponha com seriedade, com drástica premissa, o assim chamado saber científico - da física nuclear à química etc. - revela-se que nós fazemos uma essencialização de fenômenos, de aparências, ou seja, fenomenologia. Também quando fazemos investigação introspectiva, uma consideração de nós com nós mesmos, uma essencialização, ou, como se diz, uma abstração intelectiva, temos convicção de que estamos elucidando, que estamos dando evidência a um apodítico que funda o real. Mesmo a nossa consciência, por quanto nós queiramos usá-la de modo radical, é sempre fenômeno.

Na realidade, existe uma dimensão do ser, onde as coisas são, onde o conhecimento é capaz de reversibilidade, imagem e modo do real, um se converte no outro: se uso a fórmula, ou vejo o real, sou idêntico.

Husserl afirmava que se deve chegar a encontrar a identidade entre saber e real, entre consciência e ser. Obviamente, uma consciência ôntica, não uma consciência imaginativa e, portanto, fenomênica.

Toda a psicanálise é fenomenologia, todas as abstrações aristotélicas, tomistas, kantianas etc. são fenomenologia e, obviamente, nessa denúncia de Husserl está implícito o "problema crítico do conhecimento", ou seja, "eu homem, eu cientista - cientista: um saber com a ação do ser, do ente - tenho a capacidade, a posse interior da coisa, do real, do ser, de si por si?"

Por como são os sistemas logísticos da nossa abordagem a qualquer real, estamos no âmbito dos fenômenos, das aparências. Definitivamente, opiniões sistemáticas, que porém, por exemplo, como a matemática e outras ciências, têm um raio de funcionalidade, e nós as aceitamos e as convalidamos em um certo limite, excluindo, porém, uma capacidade de conexão ao ente em si. (cfr. Nexo ontológico)

Estimulado por essa análise, iniciei a minha pesquisa e, nos diversos campos que se abriram, para além da filosofia, sociologia, psicologia etc., eu tinha à mão a psicoterapia e, portanto, experimentei comparar os meus conhecimentos com o fazer-se, com o conduzir-se, com o propor-se, por exemplo, do sintoma - o sintoma cancerógeno, a realidade esquizofrênica etc. -, colher no seu a priori, no seu momento de arquitetura intencional, que depois coisifica o sintoma, no sentido da semiótica médica. Colher, no processo, a causa que o inicia, mas que, se tocada - essa causa semovente, pura informação no interior da intencionalidade de natureza - inicia ou bloqueia, portanto, tem o poder de fazer ser ou não-ser. E com o método ontopsicológico, eu cheguei.

A experimentação, com seus resultados sempre excelentes, nunca contradisse o método que, ao final, codifiquei como "Ontopsicologia", com as suas descobertas; e, hoje, esse método, se compreendido, sobretudo pelos cientistas - é óbvio que a Ontopsicologia não é uma ciência de massa, não é uma ciência de opinião, e no seu "identikit" exclusivo pertence a grandes mentes, que possam depois trabalhar em benefício de toda a humanidade - é um mediador entre realidade fenomênica e realidade inseica do real, da dinâmica, da energia e de tudo mais que o mundo se evidencia em suas individuações.

Eis que essa grande iniciação metódica no íntimo das coisas, portanto, nos media - o conhecimento ontopsicológico nos media - no interior de como o ser se auto-constitui, se faz semovência, se faz existir ou não existir. Colher essa intimidade dá uma serena propriedade no que se refere a uma função humanista, uma função do homem terrestre, uma função do homem aqui, para qualquer além daqui.

Edmund Husserl, com sua crítica, determinou o meu movente científico para dar-lhes hoje uma resposta eficiente, científica e realmente clara e transparente. E isso é uma estupenda gratificação.

Obrigado e até logo!

Referências

  1. Manual de Ontopsicologia. 4 ed. rev. Recanto Maestro: Ontopsicologica Ed, 2010. ISBN 978-85-88381-52-0
  2. Dicionário de Ontopsicologia. 2 ed. rev. Recanto Maestro: Ontopsicologica Editrice, 2008. ISBN 978-85-88381-41-4
  3. A crise das ciências européias e a fenomenologia transcendental., Edmund Husserl. 2 ed. (alemão). Haag: Martinus Nijhoff, 1976. ISBN 90-247-0221-6
  4. O Em Si do Homem. 5 ed. Recanto Maestro: Ontopsicologica Ed, 2004. ISBN 85-8838115-X
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