Porque Husserl fala de uma "crise" das ciências?

Da Ontopsicologia

Índice

A noção de "ciência" em Husserl

Edmund Husserl, 1859-1938: "A ideia clássica de ciência que nasce no mundo grego é possível?"

Um dos motivos principais pelos quais, em uma primeira leitura, as ideias da Crise podem restar incompreensíveis é, sem sombra de dúvida, a não compreensão do que Husserl entende exatamente por “ciência” e, particularmente, por “ciência rigorosa”.

Portanto, antes de compreender porque é possível falar de uma crise das ciências, porque, para Husserl a lógica, a matemática e a física ainda precisassem de um fundamento último, e, finalmente, porque, para ele, a filosofia é a ciência capaz de prover este fundamento, é preciso atentar para a sua noção de ciência.

A pergunta que Husserl se coloca, e que serve de pano de fundo para sua última grande obra, é: a ideia clássica de ciência, a ideia de ciência que nasce no mundo grego – com Aristóteles, Platão etc. – e que atravessou milênios, é possível?

Rudolf Hermann Lotze, 1817-1881: "Calcular o curso do mundo não significa compreendê-lo"

O seu texto de 1911, “A filosofia como ciência rigorosa” [6] (Hu XXV), pode ser aqui de extrema utilidade, visto que ali já se encontram dispostos os elementos para compreender a sua noção de ciência. Em particular, serve iniciar com a célebre citação que Husserl faz de Rudolph Hermann Lotze[7], filósofo alemão do século XIX, quando afirmava que “calcular o curso do mundo não significa compreendê-lo”. Essa compreensão, à qual Lotze chama a atenção, é para Husserl o compreender filosófico que deve desvelar os enigmas do mundo e da vida, a compreensão transcendental (Hu XXV).

Husserl defende a ideia de que as ciências devam superar essencialmente dois preconceitos: 1) aquele com relação às ideias de outros pensadores – visto que, de fato, boa parte do trabalho realizado pelos cientistas resulta do usufruto de resultados atingidos por outros cientistas, e não de intuições diretas próprias – e 2) o preconceito dos fatos, para que não reste prisioneira de métodos indiretos de matematização e simbolização. (Hu XXV)

Verificar-se-ia um grande progresso nas ciências, caso se reconhecesse e recuperasse o enorme valor da intuição direta, que é, para ele, sinônimo de apreensão fenomenológica da essência. Há aqui um campo infinito de pesquisa por realizar, uma ciência de novo tipo, a qual, embora não faça uso dos métodos indiretos de matematização e simbolização, pode obter conhecimentos autenticamente rigorosos[8] (Hu XXV). A função da filosofia, como ciência dos fundamentos últimos, é dar rigor científico à evidência, sendo esta o fundamento para, depois, poder fazer ciência: matemática, lógica, física etc.

Antonio Meneghetti, 1936: "Os cientistas vêem a correspondência de alguns efeitos, mas não sabem a motivação dessas leis."

A carência desse fundamento último, ou seja, a ausência de um método verdadeiramente intuitivo – que atinja metodicamente a evidência originária – e, por outro lado, a hiper-presença de métodos indiretos – matematização e simbolização – provoca uma espécie de “atrofia” da ciência, que resta prisioneira do preconceito dos fatos. Além disso, conforme afirmará na “Crise”, a carência desse método intuitivo, faz com que as assim chamadas ciências exatas e objetivas não sejam capazes de tematizar o ser da natureza, ou dito de outro modo, as ciências naturais não indagam a natureza na conexão absoluta na qual o seu ser próprio e real desdobra o seu sentido de ser. (Hu VI, p. 193) Para Husserl, a única real explicação é a compreensão transcendental e, por consequência, o saber em torno à natureza, que é próprio das ciências naturais, não equivale a um conhecimento verdadeiramente definitivo, a uma explicação da natureza. (Hu VI, p. 193) A possibilidade de deduzir, induzir e prever requer uma ulterior explicação e fundamentação.

Partindo dessa perspectiva, Husserl considera que as teorias são pouco mais do que máquinas computacionais acompanhadas apenas de um mínimo de insight racional que os gregos honraram com o nome de teoria. A racionalidade técnica das ciências relativa e unilateral que deixa o outro lado a intuição na completa irracionalidade. (Hu XVII, p. 15)

Ludwig Wittgenstein, 1889-1951: "Ainda que todas as possíveis questões da ciência recebam resposta, os problemas da nossa vida não foram nem mesmo tocados"

A reação natural a tais afirmações não poderia ser outra que de surpresa e, também compreensivelmente, de indignação, visto que as ciências obtêm, notoriamente, contínuos sucessos. Husserl não quer, de fato, desvalorizar a grandeza dos gênios criativos que operaram no âmbito na atitude natural, nem tampouco desmerecer a própria atitude natural (Hu VI, p. 193), na qual operam as ciências exatas e objetivas. O método das ciências deve recuperar, para sua própria completude, a intuição direta, pois, por outro lado, a exclusão da compreensão transcendental decapita, por assim dizer, as ciências da possibilidade de uma verdadeira compreensão e explicação de seus objetos de estudo.

Eliminada a compreensão transcendental, não se pode atingir, uma verdadeira compreensão dos fenômenos do mundo e, por outro lado, do próprio ser humano. Elaboram-se leis, mas não se compreende a motivação dessas leis:

Esses cientistas (...) vêem a correspondência de alguns efeitos, mas não sabem a motivação dessas leis. Isso é demonstrado pelo fato de que o homem organiza algumas hipóteses que, em seguida, define como leis, porque fazem parte daquele contínuo cotidiano no qual a natureza acontece. Porém, depois é ausente do ponto fundamental do seu viver e, tranquilamente, passa a definir “mistério”, onde ele é concretamente vivente. (MENEGHETTI, 2010, p. 107)

São indicadores dessa “atrofia”, para Husserl, o fato de que as ciências tenham perdido o seu sentido para a vida. Acusa-se a dificuldade da pesquisa, a insuficiência e a imprecisão dos instrumentos de medida, mas os problemas de uma autêntica humanidade, os assim chamados problemas da razão, restam à margem da ciência.

De todo modo, a ciência deve ser capaz de compreender a vida, o mundo e o homem. Esse elemento possui uma surpreendente correspondência com a célebre proposição 6.52 do Tractatus Logico-Philosophicus de Wittgenstein, o qual foi publicado, como se sabe, anos antes da “Crise”:

Sentimos que, ainda que todas as possíveis questões da ciência recebam resposta, os problemas da nossa vida não foram nem mesmo tocados (WITTGENSTEIN, 1921).

Qual a função da fenomenologia para a ciência?

Phenomenology and the natural sciences, 1970.

Compreendida a noção de ciência presente em Husserl, para que elas atinjam o seu pleno esclarecimento, faz-se necessária uma crítica da ciência, ou melhor, uma “ciência da ciência” (KOCKELMANS, 1970, p. 5), que é, para Husserl, a fenomenologia. Isso se justifica pelo fato de que a crítica das ciências leva a uma crítica da experiência e, esta, torna-se uma crítica da razão.

Todas as ciências estão em última instância fundadas na evidência e isso, pode-se dizer, é um dado comumente aceitável. Podemos afirmar, adicionalmente, que a evidência e a experiência sempre envolvem um sujeito, e isso quer dizer, em termos fenomenológicos, que todas as ciências estão fundadas na intencionalidade produtiva da subjetividade. As consequências desse fato, porém, é que não são tão fáceis de enfrentar, pois, nos levam à conclusão que para sermos radicalmente objetivos, temos que tornar a investigação radicalmente subjetiva (KOCKELMANS, 1970, p. 6).

A necessidade da fenomenologia pode então ser assim sintetizada: dado que a ciência é um produto do “espírito”, a própria ciência não pode ser investigada por uma ciência da natureza. Uma “ciência da ciência” é, necessariamente, uma ciência do espírito (Geistwissenschaft). Cabe à filosofia – cuja forma última para Husserl é a fenomenologia transcendental – a tarefa de ser a ciência última, de ser a ciência dos fundamentos últimos. Embora os cientistas não precisem desse conhecimento para atuar:

(...) sem uma racionalidade intrínseca e clareza dos próprios fundamentos, uma ciência operativa reduz-se a uma mera tecnologia, cujas técnicas permitem prever eventos futuros e o controle técnico da natureza. Isso torna o mundo mais útil, mas não por isso mais compreensível (KOCKELMANS, 1970, p. 10).

O fundamento do conhecimento, para Husserl, está na intuição imediata, e não em uma inferência mediada. Porém, ao invés de apoiar-se na dedução a partir do ego, como fez Descartes, ele propõe-se a realizar uma descrição da vida do ego em sua correlação intuitiva com o campo das objetividades – categoriais e eidéticas –, as quais constituem os conceitos elementares e os pressupostos de todas as ciências. Trata-se de um retorno à evidência originária e não às falsas evidências do naturalismo. O rigor do método fenomenológico apóia-se no "ver diretamente" ao invés de apoiar-se na exatidão dedutiva. A fenomenologia, portanto, nega a impossibilidade de ir além dos dados da consciência e busca o fundamento último das ciências. Isso significa que o fundamento das ciências, ou melhor, o paradigma da razão husserliana é a evidência, e não as conclusões dos métodos indutivo e dedutivo. É por meio da intuição das essências que a fenomenologia provê um fundamento radical para as ciências, ou seja, o fundamento em uma evidência racional, na qual o objeto dá-se pura e simplesmente à consciência (KOCKELMANS, 1970, p. 25).

Eis porque para Husserl é fundamental a tarefa da fundação de todas as ciências a partir da fundação da filosofia. A fenomenologia teria assim a função de ciência da ciência, de mathesis universalissima (Hu VIII, p. 249). Nesse sentido, portanto, a crítica mais radical de Husserl dirige-se aos filósofos, aos quais, na qualidade de "funcionários da humanidade", cabe a tarefa de investigar os fundamentos últimos da ciência e, desse modo, re-estabelecer o nexo entre as ciências e o “mundo-da-vida”.

Os sentidos de "crise" e o problema da "fundação da filosofia"

Analisando retrospectivamente a primeira parte da obra, podemos assim enunciar os problemas tratados por Husserl:

  1. Foi necessária a crítica fenomenológica a fim de recuperar o verdadeiro télos da filosofia, o qual se encontrava encoberto por uma série de equívocos históricos;
  2. Tal télos pode ser desvelado apenas por meio da aplicação do método fenomenológico. Rumo a uma autêntica fundação da filosofia como ciência rigorosa, a “Crise” traz à tona a necessidade de uma crítica adicional, a qual denominaremos, com David Carr, de “redução histórica”. Todo filósofo é “filho de seu tempo”, é herdeiro dos resultados já atingidos por seus predecessores, mas também dos pré-juízos constituídos historicamente. Por conta disso, não se dá conta da própria tarefa da filosofia, pois coloca seus problemas, já na partida, de um modo determinado, não necessariamente errôneo, mas comprometido pelo viés histórico. O filósofo, portanto, se não faz “redução histórica”, poderá ser pré-condicionado historicamente e, se quer ser um pensador autônomo, deverá submeter-se a esta “redução histórica”.
  3. Logo, é essencial esse passo metódico ulterior no sentido da fundação da filosofia, qual seja, analisar a filosofia segundo o critério da “redução histórica”, de modo a encontrar como “resíduo”, a sua interna teleologia, desvelando seus equívocos para elucidar a autêntica tarefa do filósofo. Não se trata, portanto, de rever a história da filosofia, ao estilo aristotélico, para então apresentar a fenomenologia ou qualquer outra corrente filosófica, mas sim de levar a sério e até as últimas consequências, o sentido da historicidade no método filosófico, levar a cabo uma revisão histórica para compreender a tarefa da filosofia.
  4. Uma vez levada a cabo esta revisão histórica particular, está-se em condições de recuperar ou atingir o “mundo-da-vida”, o qual será para Husserl a fonte ou fundamento último tanto para a filosofia, quanto para as demais ciências.
  5. Esse último elemento desvelado, o “mundo-da-vida”, para efeito destas considerações iniciais, pode ser caracterizado como um reino de evidências originárias, em distinção às falsas evidências, derivadas de ingenuidades filosóficas, das quais o filósofo deve precaver-se por meio de uma radical reflexão consentida a partir do método fenomenológico.

Tomando então como guia a noção de ciência analisada na seção anterior, bem como o retrospecto acima traçado, estamos em condições de apresentar a Parte I do texto da “Crise”, a qual se compõe de sete breves parágrafos. O escopo destas análises é explicitar as motivações que permitem a Husserl falar de uma crise das ciências.

Apresentação dos parágrafos da Parte I da "Crise"

Galileu Galilei, 1564-1642

§ 1. Existe verdadeiramente uma crise das ciências, não obstante os seus contínuos sucessos?

Já do título apreende-se que, antes de tudo, Husserl tem plena consciência de que não há, entre os seus contemporâneos, um comum acordo quanto ao fato de que as ciências em geral possam estar passando por uma crise.

Devo esperar que nesta sede, consagrada às ciências, já o título destas conferências: A crise das ciências européias e a psicologia[9] suscite alguma controvérsia. Pode-se seriamente falar de uma crise das nossas ciências em geral? Este discurso, hoje habitual, não constitui talvez um exagero? (Hu VI, p.1)

Se considerarmos duas linhas fundamentais de compreensão da “Crise”, quais sejam, a demonstração da necessidade de uma fenomenologia à luz de uma análise da essência histórico-teleológica da situação filosófica atual; e, ao mesmo tempo, uma introdução à fenomenologia, onde aparece com destaque uma discussão das contradições da psicologia como “ciência da vida subjetiva”, deveríamos ser levados à suspeita de que o problema da crise da psicologia (como contido no título original do ciclo de conferências em Praga, conforme citação acima) não poderia ser colhido como um problema isolado, mas como um índice de um contexto muito maior para o qual a crise se alarga, qual seja, a crise da cientificidade das ciências.

Husserl deve, portanto, ocupar-se inicialmente de definir exatamente o que entende por crise das ciências. Trata-se, como afirmarmos, de questionar o fundamento da cientificidade das ciências em geral, ou seja, questionar se o modo como as ciências põem as suas próprias tarefas, bem como o método pelo qual pretendem resolvê-las, possuam um fundamento.

Se tal crise de fundamentos pode passar despercebida no âmbito das ciências naturais, em parte por causa de sua produção de resultados, em parte por causa de sua redução a tecnés, no que tange especificamente à filosofia, para Husserl, tal crise é evidente. Quanto à psicologia, não entendida como ciência positiva de fatos, tal crise também a atinge, antes, será justamente ali onde, historicamente, surgirão os primeiros paradoxos apontados por ele. De fato, para Husserl, a psicologia assumirá um papel central, posto que a extensão do método indutivo das ciências físicas para o seu âmbito de pesquisa representaria não apenas uma crise de fundamentos da própria psicologia, mas também uma crise do objetivismo como um todo e, por fim, também uma crise da filosofia.

Retornando, porém, ao âmbito geral das ciências naturais – não esqueçamos que o momento histórico em que Husserl escreve esta obra corresponde ao de máxima confiança nos princípios positivistas, cujos resultados só poderiam ser a prova (em sentido pragmático) de sua verdade – seria também possível falar de crise na física, na matemática e nas demais ciências consideradas exatas? De fato, a física restava modelo exemplar de cientificidade e seria muito difícil, à época de Husserl, atribuir-lhe um status de “à beira do abismo”. Aristóteles e Galileu, Newton e Einstein pareciam ser membros de um movimento de progresso contínuo, o qual sob nenhum ponto de vista estaria ameaçado ou em crise.

O modo como Husserl propõe colocar o fato de que a amplitude da crise atingiria também a física e a matemática, segue a seguinte linha de raciocínio: Husserl pergunta-se quanto à solidez dos princípios da física e da matemática, consideradas as mudanças estruturais decorrentes de novas abordagens teóricas, como as de Plank ou Einstein, e das discussões entre teóricos matemáticos sobre os fundamentos da matemática, que posteriormente culminarão com a prova do teorema da incompletude fornecida por Gödel. Em outros termos: quando novas descobertas e avanços são realizados, que impõem uma revisão estrutural de nossas ciências, o que podemos dizer dessas ciências antes de tais descobertas e avanços: elas eram menos científicas do que se tornaram após tais descobertas e avanços? Pode-se dizer que elas ainda não tinham atingido seu fundamento último e definitivo? Quando poderemos dizer que elas se tornaram finalmente científicas?

Retornando ao caso específico da cientificidade da psicologia, Husserl acrescenta:

Apenas com relação à psicologia, que até mesmo pretende ser a ciência fundamental, abstrata, definitivamente explicativa com relação às ciências concretas do espírito, não seremos talvez tão seguros. Mas, considerando que o evidente desvio no método e nas operações deriva de um desenvolvimento por natureza mais lento, se será geralmente dispostos a reconhecer também à ela a sua validade. (Hu VI, p.2)

No que se refere à filosofia e ao seu método, impõe-se, para Husserl, um abismo, ao qual dedicará suas considerações, indicando que o escopo central da obra seja, efetivamente, dar um fundamento científico para a filosofia, levando em conta o papel inerente da psicologia para a resolução desse problema:

De todo modo, o contraste entre a “cientificidade” deste grupo de ciências e a “não-cientificidade” da filosofia é indiscutível. Por isso, nós reconhecemos as boas razões do interior protesto dos cientistas, seguros do seu método, contra o título destas conferências. (Hu VI, p.2-3)

Porém, até este ponto, ainda não é possível colher a conexão da carência de fundamento da filosofia e em que medida também as ciências positivas sejam carentes de uma fundamentação última e definitiva.

§ 2. A redução positivista da ideia da ciência à ideia de uma ciência de fatos. A crise das ciências como perda do seu significado para a vida.

Não obstante a aparente inatacabilidade das ciências, em particular do ponto de vista da legitimidade do seu método, há uma crítica séria e necessária, que tem o seu aspecto mais exposto na psicologia. A problematicidade própria da psicologia refere-se ao que Husserl chama de “paradoxo da subjetividade”, o qual está intimamente conexo com a temática e o método da psicologia. De fato, para atingir o seu intento de fundamentar a filosofia, e por consequência, fundamentar todas as ciências, enquanto ramificações da filosofia, Husserl terá que, primeiramente, resolver o enigma da subjetividade.

Ele afirma: “Tudo isso não constitui outro que uma primeira indicação do sentido profundo ao qual estas conferências se propõem”. (Hu VI, p.3)

"As meras ciências de fatos criam meros homens de fatos", Edmund Husserl

Husserl toma como ponto de partida o significado que a revolução positivista, ocorrida no final do século XIX teve para a humanidade, a qual, por um lado trouxe uma notável prosperity, mas que por outro distanciou a humanidade dos problemas que, para ele, são justamente aqueles que caracterizam uma humanidade autêntica:

As meras ciências de fatos criam meros homens de fatos. A revolução da atitude geral do público foi inevitável, especialmente após a guerra, e sabemos que na mais recente geração ela se transformou até mesmo em um estado de ânimo hostil. Na miséria da nossa vida – ouve-se dizer – esta ciência não tem dada a nos dizer. Ela exclui por seu próprio princípio aqueles problemas que são os mais pungentes para o homem, o qual, nos nossos tempos atormentados, sente-se à mercê do destino; os problemas do sentido ou não-sentido da existência humana como um todo. (Hu VI, p.4)

Para Husserl, a ciência do nosso tempo nada tem a dizer sobre os problemas tipicamente humanos, pois ela abstrai justamente de qualquer forma de subjetividade. Tal é também o caso das assim chamadas ciências do espírito (Geistwissenschaften), nas quais, para que haja uma rigorosa cientificidade, faz-se necessário evitar qualquer tomada de posição subjetiva. Essa e não outra é a perda de sentido das ciências para a vida. Para Husserl, a humanidade européia, em um certo sentido, está doente e cabe à filosofia abrir o percurso pelo qual se chegou a esse estado de coisas, mas também recuperar o sentido que nos torna verdadeiramente humanos.

Sob este ângulo, pode-se afirmar que as ciências como um todo, e não apenas a filosofia ou a psicologia, encontram-se em crise. Trata-se, para James Dodd: “[de um] sentimento de fracasso, advertido no íntimo de qualquer cientista e que pode ser representado por meio da seguinte pergunta: que tipo de humanidade a nossa ciência está produzindo?” (DODD, 2004, p. 29).

Em sua última introdução à fenomenologia, Husserl inicia de modo inusitado: admite que o título das conferências seja uma espécie de clichê popular. Porém, ao defender a noção de crise como lamento geral acerca da crise de nossa cultura, na qual a ciência está implicada, não atingiremos toda a profundidade das análises de Husserl.

Como veremos, por meio das análises histórico-teleológicas, esse é apenas um dos sentidos da ideia de crise, sendo aquele da necessidade de fundação da filosofia e, por consequência de todas as ciências, aquele que Husserl quer efetivamente por em relevo. Seria, a nosso ver, mais adequado tomar como parâmetro introdutório a passagem onde Husserl (Hu VI, p.7) afirma que com a falência da filosofia, as ciências como um corpo veem-se decapitadas (o positivismo dacapita, por assim dizer, a filosofia), ou para adotar uma analogia com Descartes, são ramos que florescem de um tronco sem raízes.

§ 3. A fundação da autonomia da humanidade européia com a nova concepção de filosofia no Renascimento.

Renascimento: o homem é tal se é construído em base à livre razão.

Apesar do pessimismo inicial, Husserl retoma nesse parágrafo elementos históricos que demonstram que nem sempre a ciência mirava uma verdade rigorosamente fundada no sentido daquela objetividade que ora domina metodicamente as nossas ciências positivas (Hu VI, p. 5), visão esta que também atinge a própria filosofia e a visão de mundo dos filósofos.

O momento histórico para o qual Husserl chama a atenção é o Renascimento, no qual se dá uma virada essencial no significado da ciência para a humanidade, no sentido de uma limitação positivista da ideia de ciência. Nesse período, a humanidade abandona o modo de vida medieval e reivindica a plena liberdade fundada na razão[10].

Como é notório, a humanidade européia atua durante o Renascimento uma virada revolucionária. Ela volta-se contra os seus precedentes modos de existência, aqueles medievais, desvaloriza-os e exige plasmar a si mesma em plena liberdade. Ela descobre na humanidade antiga um modelo exemplar. Sobre esse modelo, ela quer elaborar as suas novas formas de existência. (Hu VI, p.5)

A forma filosófica da existência, ou seja, a capacidade de dar livremente a si mesma, a toda a própria vida, regras fundadas na pura razão, extraídas da filosofia (Hu VI, p. 5) é o elemento recuperado pelo humanismo. O homem é tal se é construído em base à livre razão.

Outro elemento decisivo é o significado de filosofia herdado dos antigos, a qual tem o sentido de uma ciência “omnicompreensiva”, ciência da totalidade do ser. As ciências particulares, portanto, são entendidas como ramos de uma única filosofia, cujo escopo é reunir todas as questões por meio de uma metódica apoditicamente evidente em um progresso infinito e racional de pesquisa. Para Husserl, o conceito positivista de ciência abandonou todos aqueles problemas que podemos incluir no conceito de metafísica, os quais implicam os problemas da razão – seja no tocante ao problema do conhecimento, da ação ética, do sentido da história, de deus, da imortalidade, da liberdade etc.

Todos esses problemas metafísicos, entendidos no modo mais amplo possível, os problemas especificamente filosóficos no sentido corrente, ultrapassam o mundo enquanto universo de meros fatos. Ultrapassam-no exatamente enquanto problemas que miram à idéia da razão. E todos eles pretendem uma maior dignidade com relação aos problemas que concernem os fatos, os quais são subordinados a eles também com referência à ordem na qual se dispõem. O positivismo decapita, por assim dizer, a filosofia. (Hu VI, p.7)

Na nova concepção de filosofia – que se inicia com a renovação do ideal grego no Renascimento –, cabia à metafísica as questões últimas e supremas, bem como conferir às demais ciências o seu sentido peculiar. No momento de sua renovação, afirma Husserl, a filosofia acreditou ter descoberto um método universal que consentiria construir uma filosofia sistemática, que pudesse levar à metafísica, uma filosofia concebida como uma philosophia perennis.

Conforme destaca Zilles (1996),

na fase da crise Husserl indaga o porquê do fracasso das ciências, perguntando pela origem dessa crise e redescrevendo a trajetória da razão ocidental. Constata que, pela matematização, as ciências se afastam do mundo da vida e da teleologia que fundamenta a cultura ocidental.

Com essa passagem, queremos destacar, adicionalmente, que também a existência humana requer um fundamento, cuja evidência é, em um certo sentido, mais rica do que aquela evidência meramente lógica. Ao que parece, o ser humano teria essa fundamental necessidade por significado e evidência existencial, a qual a ciência, por ter abandonado os problemas perenes de uma humanidade autêntica, não mais consegue dar conta (DODD, 2004, p. 30).

§ 4. A falência da ciência, que parecia inicialmente destinada ao sucesso, e o motivo inexplicado desta falência.

Para Husserl, o fracasso da humanidade moderna ocorreu porque "a força de propulsão emanante da fé em uma filosofia universal perdeu o seu ideal e não compreendeu o porte do seu método" (Hu VI, p.8). Mas o que isso significa?

Que o novo método das ciências só podia ser aplicado nas ciências positivas. Na metafísica, mas em sentido mais amplo no âmbito dos problemas filosóficos, o resultado histórico foi a cisão dos movimentos filosóficos em filosofias sistemáticas muito imponentes, mas desgraçadamente incapazes de atingir um acordo, antes, reciprocamente hostis (Hu VI, p.8).

A crença na possibilidade de chegar a uma unificação da filosofia, de fato, não conseguiu sobreviver e, considerando os progressivos sucessos obtidos pelas ciências positivas, pode-se constatar um distanciamento progressivo dos profissionais das ciências positivas em relação à filosofia, bem como, por outro lado, um sentimento de falência entre os filósofos. Em termos da história da filosofia, Husserl chama a atenção para o período que, de Hume a Kant, chega até os dias atuais, onde a filosofia buscou compreender os motivos dessa falência:

(...) uma luta que, naturalmente, foi conduzida apenas por pouquíssimos eleitos, enquanto a maioria encontrava e continua a encontrar com muita desenvoltura as fórmulas capazes de tranquilizar a si mesmos e aos próprios leitores. (Hu VI, p.9)

§ 5. O ideal de uma filosofia universal e o processo do seu íntimo dissolvimento.

O problema, como Husserl o desenvolverá, pode ser proposto da seguinte forma:

A filosofia tornou-se um problema para si mesma, antes de tudo, como é compreensível, o problema da possibilidade de uma metafísica; este problema investia, no sentido que é implícito no que já se disse, a possibilidade de toda a problemática racional. (Hu VI, p.9)

Ocorre que a crise não se restringirá apenas à metafísica, mas também envolverá o fundamento das ciências positivas, posto que estas são, ainda que possam repelir qualquer forma de metafísica, estudos de setores particulares do ser. Os problemas da razão englobam, por assim dizer, os problemas particulares das ciências:

É possível separar a razão e o essente [11] (Seiendes) se é justo a razão que, no processo cognoscitivo, determina o que o essente é? (Hu VI, p.9)

É importante para tanto compreender a forma do processo histórico da filosofia. A tarefa preliminar dos filósofos, para Husserl, é justamente realizar uma explicitação da motivação interna da filosofia universal e, particularmente, compreender as linhas de desenvolvimento da filosofia a partir da fundação originária da época moderna (Hu VI, p.9).

Aqui cabe a antecipação de um questionamento: no contexto de uma séria consideração quanto ao ponto de partida de uma filosofia consequente e radicalmente fundada, considerando que os filósofos são – como seres históricos – herdeiros de determinados pontos-de-vista histórico-filosóficos, o que dizer de tal afirmação? Residiria nela algum resquício de pré-juízos históricos? Em que medida também Husserl está imune de sua própria crítica? Em que medida a “Crise” não seria também uma autorreflexão e uma autocrítica feita por Husserl à sua filosofia? Retornaremos a esta citação, dada a sua relevância, quando tratarmos do tema da historicidade. O que se verificou na história da filosofia, dirá Husserl, foi a dissolução desse ideal. O problema do ideal autêntico de uma filosofia universal irá tornar-se a mola propulsora dos movimentos filosóficos, mas, ao mesmo tempo, uma vez que esse ideal não foi realizado, o ponto focal da crise de todas as ciências modernas:

(...) a crise da filosofia equivale a uma crise de todas as ciências modernas enquanto ramificações da universalidade filosófica; ela torna-se uma crise, primeiramente latente e depois cada vez mais claramente evidente, da humanidade européia, do significado global da sua vida cultural, da sua global existência. (Hu VI, p.10)

As formas de ceticismo contras as quais Husserl tanto lutou – o historicismo, o naturalismo e, em particular o psicologismo – indicam a queda da fé na razão, no sentido que os antigos contrapunham episteme à doxa. O resultado é a perda do sentido próprio do que chamamos “humanidade”. A história da filosofia, então, assumirá a forma de uma luta pela possibilidade de existência da própria filosofia, pois aceitar a derrota na fundação da filosofia é aceitar a derrota do sentido de uma humanidade fundada na filosofia. Do ponto de vista dos argumentos empiristas, a razão torna-se um enigma, visto que no mundo da experiência concreta não encontramos a razão ou suas ideias, e mais ainda, o próprio mundo – que é o que é em virtude da razão, que lhe confere sentido – torna-se um enigma, juntamente com o problema de quais sejam e como se estabeleçam as ligações entre razão de um lado e ser em geral de outro. A filosofia moderna passa a ter como problema central, portanto, para Husserl, a fundação da filosofia, ela deve tornar-se segura de seus problemas e métodos, além de superar suas precedentes ingenuidades. Faz-se necessária, portanto, uma análise radical das motivações que impulsionaram a filosofia em seus desdobramentos.

§ 6. A história da filosofia moderna como luta pelo sentido na humanidade.

Embora a filosofia moderna possa apresentar aparentes contradições, é possível, afirma Husserl, encontrar um fio condutor que revele uma unidade de sentido, de Descartes até hoje, sem o qual não é possível compreender a filosofia de seu tempo. Husserl chamará as filosofias céticas – aquelas que não acreditam e não trabalham pela fundação de uma metafísica – de “não filosofias”, as quais mantiveram apenas o nome de “filosofia”, mas que não podem propriamente assim serem denominadas; e de “verdadeiras filosofias” aquelas correntes que mantiveram vivo o problema da fundação da filosofia.

Ao abrir mão do problema da fundação da filosofia, ao abrir mão do problema de uma metafísica, estamos abrindo mão daquela via aberta pelos gregos, que consiste “na vontade de ser uma humanidade fundada na razão filosófica e sobre a consciência de não poder ser de outro modo” (Hu VI, p.13). Significaria, portanto, admitir que a humanidade grega não tenha revelado aquela entelequia [12], que é própria da humanidade como tal, para a qual a filosofia e a ciência não seriam outro que a revelação da razão universal inata na humanidade.

Alternativamente, a conclusão poderia ser a seguinte: a humanidade grega (européia) não revelou tal entelequia, mas trata-se apenas de um fenômeno histórico, não se constituindo em uma ideia absoluta, mas em um “mero tipo antropológico empírico como a China ou a Índia” (Hu VI, p.14). Como será tratado nos parágrafos seguintes, é fato que a filosofia nos tempos de Husserl teve que admitir e renunciar a uma certa forma de racionalismo, aquele do século XVIII, considerando-o ingênuo e até mesmo contraditório, mas não por isso, afirma Husserl, devemos renunciar ao sentido autêntico do racionalismo, visto que ao fazê-lo, estamos renunciando consequentemente à possibilidade de fundação das ciências e da filosofia.

§ 7. O propósito destas pesquisas.

Na conclusão desta Primeira Parte, Husserl coloca claramente o propósito ao qual a Crise se propõe, exortando os filósofos a um retorno ao “problema da fundação da filosofia”:

(...) viemos aqui apenas para escutar uma prolusão acadêmica? Podemos retornar tranquilamente ao trabalho que interrompemos, aos nossos problemas filosóficos, à construção da nossa própria filosofia? Podemos seriamente fazê-lo após termos descoberto com certeza que a nossa filosofia, como aquela de todos os filósofos presentes e passados, não terá mais que a efêmera existência de uma jornada no âmbito da flora filosófica que sempre de novo se renova e que depois torna a despetalar-se? (Hu VI, p. 15)
Edmund Husserl, 1859-1938:
"O filósofo é um funcionário da humanidade, e tem a responsabilidade de explicitar o verdadeiro ser da humanidade".

O filósofo, para Husserl, é um funcionário da humanidade, e tem a responsabilidade de explicitar o verdadeiro ser da humanidade, o qual deve orientar-se a um télos, por meio da filosofia. Faz-se necessária, portanto, uma consideração crítica da finalidade e do método da filosofia. Essa consideração requer uma atitude radicalmente cética – requer uma epoché radical, mas não em sentido negativo. Tal via de análise, segundo Husserl, conduz à fenomenologia transcendental, a qual implica a mudança do sentido global da filosofia. Simultaneamente, por meio dessas análises, será possível compreender aquilo que Husserl chama de “a trágico falência da psicologia moderna”, qual seja, o fato de que a psicologia exista em meio a uma contradição: pretende ser “a ciência filosófica fundamental”, mas dá origem, por outro lado, a contra-sensos, como aqueles do “psicologismo”, evidenciado na filosofia do século XIX.

Nessa última passagem, para James Dodd, há alguns pontos centrais que merecem destaque. Para ele, Husserl quer provocar os filósofos à responsabilidade em relação à crise das ciências. Não se trataria, portanto, de uma análise destacada, descomprometida, estritamente acadêmica, mas algo que toca o íntimo dos filósofos enquanto tais. Em outras palavras: “se somos verdadeiros filósofos, devemos nos importar com o fato de que justo a filosofia careça de fundamento”. (DODD, 2004, p. 13) Para ele, também o problema da evidência é decisivo e central na evolução da fenomenologia, e não apenas na “Crise”, mas também nos escritos tardios de Husserl como um todo, em particular conexão com a questão da origem do significado. Residiria aí o sentido da relevância posta por Husserl no “mundo-da-vida”, como fundamento das ciências e em particular da filosofia, por entender que o “mundo-da-vida” é o único contexto onde um significado pode ser “significante” – doador de significado –, mas aos sentidos do conceito de “mundo-da-vida” para a crítica filosófica retornaremos em outro capítulo.

Ora, no que tange especificamente ao sentido da fundação proposto pela “Crise”, algumas considerações ulteriores fazem-se necessárias para seu esclarecimento.

Antes de tudo, o problema da fundação é bastante anterior em Husserl. Tome-se como exemplo as “Investigações Lógicas”. Ali vemos Husserl ocupado, quando comparamos com as reflexões da “Crise”, aparentemente, com um problema parcial, o da fundação da lógica (Hu XIX) e o da refutação dos argumentos psicologistas (Hu XVIII). Porém, analisadas dentro do conjunto da obra, as “Investigações Lógicas” adquirem o significado de uma pesquisa parcial-setorial, mas essencial e necessária, dentro de um âmbito de pesquisa mais amplo, o da fundação da filosofia e, em última análise, das ciências como ramos do saber filosófico.

Poderíamos arriscar afirmar que o problema constante ao longo da vida de Husserl é, verdadeiramente, o problema crítico do conhecimento, o qual é inicialmente reconhecido em um âmbito setorial da ciência, a Lógica, que se via ameaçada em meio ao ceticismo de origem psicologista. Uma vez superado esse problema, nos prolegômenos (Hu XVIII), Husserl vê-se compelido a investigar um problema ainda maior, que é o fundamento das ciências (Hu XXV), discutindo o problema do historicismo e do naturalismo. Esse empreendimento implica, porém, a necessidade de novos desenvolvimentos, em particular o desenvolvimento do método fenomenológico (Hu III, Hu VI) em diversos aspectos, até atingir a radicalização última da epoché na “Crise” (Hu VI).

Veja também

Notas

  1. “Philosophie als strenge Wissenschaft”, 1911 (Hu XXV)
  2. 1817-1881.
  3. Estamos aqui ainda nos primórdios da formalização do método fenomenológico: as “Idéias”, de fato, serão elaboradas principalmente entre 1912 e 1929.
  4. Era este o título originário do ciclo de conferências de Praga.
  5. Galileu é precedido por homens que deram a forma mentis ao humanismo histórico: Coluccio Salutati, Gianozzo Manetti, Pico della Mirandolla, Marsilio Ficino, Alfono Daragomma, Aldo Manuzio, Lorenzo Valla entre outros.
  6. Embora a forma verbal “particípio presente” tenha caído em desuso na língua portuguesa, restando apenas na forma de adjetivos (fervente, poente etc.), optamos por preservá-la ao invés de utilizar expressões aproximativas, como “o ser que é” ou “existente”. David Carr (1970), em sua tradução da “Crise” para o inglês, utiliza a expressão “that-which-is” (aquilo-que-é). Optamos, consistentemente, traduzir “Seiende” por “essente”.
  7. Termo grego que significa “saber o ponto, saber o sentido”.

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Siglas e abreviaturas

As seguintes siglas são adotadas para a citação das obras de Edmund Husserl, conforme a “Husserliana: Edmund Husserl Gesammelte Werke” (Husserl Archives – Leuven):

  • Hu I = Cartesianische Meditationen und Pariser Vorträge. (1991)
  • Hu III = Ideen zu einer reinen Phänomenologie und phänomenologischen Philosophie. Erstes Buch: Allgemeine Einführung in die reine Phänomenologie. (1976)
  • Hu IV = Ideen zu einer reinen Phänomenologie und phänomenologischen Philosophie. Zweites Buch: Phänomenologische Untersuchungen zur Konstitution. (1991)
  • Hu V = Ideen zu einer reinen Phänomenologie und phänomenologischen Philosophie. Drittes Buch: Die Phänomenologie und die Fundamente der Wissenschaften. (1971)
  • Hu VI = Die Krisis der europäishen Wissenshaften und die transzendentale Phänomenologie. Eine Einleitung in die phänomenologische Philosophie. (1976)
  • Hu VII = Erste Philosophie (1923/24). Erster Teil: Kritische Ideengeschichte. (1956)
  • Hu VIII = Erste Philosophie (1923/24). Zweiter Teil: Theorie der phänomenologischen Reduktion. (1959)
  • Hu IX = Phänomenologische Psychologie. Vorlesungen Sommersemester 1925. (1968)
  • Hu XV = Zur Phänomenologische der Intersubjektivität. Texte aus dem Nachlass. Dritter Teil: 1929-1935. (1973)
  • Hu XVII = Formale un Transzendentale Logik. Versuch einer Kritik der logischen Vernunft. Mit ergänzenden Texten. (1974)
  • Hu XVIII = Logische Untersuchungen. Erster Band: Prolegomena zur reinen Logik. Text der 1. und 2. Auflage. (1975)
  • Hu XIX = Logische Untersuchungen. Zweiter Band: Untersuchungen zur Phänomenologie und Theorie der Erkenntnis. (1984)
  • Hu XXV = Aufsätze und Vorträge (1911-1921), pp. 3-62: Philosophie als strenge Wissenschaft (1987)
  • Hu XXXII = Natur und Geist. Vorlesungen Sommersemester 1927. (2001)
  • Hu XXXIX = Die Lebenswelt. Auslegungen der vorgegebenen Welt und ihrer Konstitution. Texte aus dem Nachlass (1916-1937). (2008)
  • “Crise” = “A crise das ciências européias e a fenomenologia transcendental”.
  • “Ideias” = o conjunto da obra Hu III, Hu IV e Hu V

Citações dos manuscritos seguem a nomeclatura do “Manuscript index”, disponível no sítio dos Arquivos Husserl.

Ligações externas

Sobre o texto

  • O presente texto é um dos capítulos da Dissertação apresentada à Banca Examinadora da PUC/SP - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, como exigência parcial para obtenção do título de Mestre em Filosofia, por Erico Azevedo, sob orientação do Prof. Dr. Mário Ariel González Porta, em 2011, com o título "A Crise das Ciências Européias e a Fenomenologia Transcendental de Edmund Husserl: uma apresentação".
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